Relógio de Sol

Mariza Bezerra e Heloisa Gesteira

DF, Brasil

15°47'59" oeste e 47°54'25" sul.

Em Brasília, um projeto de Oscar Niemeyer e dos cientistas Jacques Danon e Marcomede Rangel marca as horas e a interdependência entre o céu e a terra, celebrando a conexão entre a capital federal e o Observatório Nacional.

Publicado em
25/09/2022

Atualizado em
30/09/2022

A relação entre os seres humanos e a passagem do tempo é antiga. Em diversas circunstâncias, a medida do tempo relacionada ao encadeamento dos acontecimentos serve para organizar a vida em sociedade. Diversos dispositivos foram inventados; dos mais simples, utilizando o dia e a noite como referência, passando por modelos que escoam areia em um recipiente (ampulhetas), até chegarmos aos atuais relógios atômicos com sofisticada tecnologia e altíssima precisão. Entre esses artefatos, os relógios de sol destacam-se como um dos mais antigos meios de marcação do tempo, presentes em diversas localidades do planeta. 

No Brasil, um dos mais representativos localiza-se no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, em Brasília. Foi inaugurado em 21 de abril de 1988, no aniversário da cidade, como parte das comemorações dos 160 anos do Observatório Nacional em 1987, e por ocasião da definição da capital federal como Monumento da Humanidade pela UNESCO. O relógio marca as horas através da sombra deixada pelo Sol por uma haste inclinada (ponteiro ou gnomo), condizente com a latitude do local que o relógio foi instalado, e voltado para o polo Sul.

O projeto arquitetônico do relógio foi assinado por Oscar Niemeyer. Já o projeto astronômico, pelos cientistas Jacques Danon e Marcomede Rangel, do Observatório Nacional e CNPq, respectivamente. Seus idealizadores visavam despertar o interesse pela astronomia, instigando a reflexão sobre os mecanismos de seu funcionamento, que se relaciona ao movimento diurno e anual da Terra em relação ao Sol. Além disso, visavam movimentar o turismo naquela área de lazer e evidenciar um artefato antigo, mas feito em diálogo com a arquitetura moderna materializada em Brasília.

O monumento também traduz uma antiga conexão da cidade com o Observatório Nacional: em 1892 foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto Central com a finalidade de determinar a região onde, quase 70 anos depois, seria edificada a nova capital do Brasil. A comissão era liderada pelo astrônomo Luiz Cruls, do Observatório Nacional. Assim, o relógio solar do Parque da Cidade também celebra, por meio de um jogo entre presente e passado, um importante serviço público oferecido pela instituição desde sua fundação, como Imperial Observatório do Rio de Janeiro: a geração e divulgação da Hora Legal, que organiza nossa vida cotidiana.

Ao estabelecer-se em 1920 em São Cristóvão, na então capital federal, quando a hora já há muito era medida por meio da observação de passagens meridianas de astros com lunetas, o Observatório Nacional também construiu um relógio solar. Essa espécie de monumento ao tempo pode ser vista no Pavilhão da Luneta Equatorial 32, no campus do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro. 

 

* Texto originado do projeto Portal de História da Ciência e Tecnologia no Brasil (PHCT-MAST) desenvolvido com recursos FAPERJ e FINEP.

Relógio de Sol de Brasília. Foto: Carlos A. Cruz. (1)

Relógio de Sol de Brasília. Foto: Carlos A. Cruz. (1)

Relógio de Sol de Brasília. Foto: Carlos A. Cruz. (2)

Relógio de Sol de Brasília. Foto: Carlos A. Cruz. (2)

Comissão Cruls, 1892. Foto: Henrique Morize. (3)

Comissão Cruls, 1892. Foto: Henrique Morize. (3)

Observatório Nacional. Foto: SECOM/MAST. (4)

Observatório Nacional. Foto: SECOM/MAST. (4)