Acampamento Leonir Orback

Joana Martins, Ana Luiza Nobre e David Sperling

GO, Brasil

17°48'47" oeste e 50°31'56" sul.

Uma das ocupações organizadas pelo MST (Movimento Sem Terra) em latifúndios improdutivos, onde se pratica a luta pela terra como o primeiro passo para a Reforma Agrária no Brasil.

Publicado em
22/09/2022

Atualizado em
22/09/2022

Fechar estradas, derrubar cercas, quebrar cadeados, capinar o solo, fincar paus, estender lona, içar bandeiras, erguer uma guarita. Ocupar a terra, libertar o chão.

Em 2015, quatro mil pessoas se organizaram e ocuparam as terras pertencentes à Usina Santa Helena, no interior do estado de Goiás. A empresa do Grupo Naoum, produtora de açúcar e álcool, possui um latifúndio de cerca de 15 mil hectares e uma dívida de aproximadamente 1 bilhão de reais com a União e em direitos trabalhistas, além de crimes ambientais, e está em recuperação judicial desde 2008. 

Desde o início do processo, as 600 famílias do acampamento travam uma disputa judicial pela conclusão da transferência das terras para a União, a fim de que seja direcionada à reforma agrária, fazendo valer a função social da propriedade. A ocupação já sofreu duas tentativas de despejo e duas prisões de militantes por formação de organização criminosa. O movimento acusa o sistema judiciário local de perseguição política. O acampamento do Movimento Sem Terra (MST) leva o nome de Leonir Orback, um jovem militante de 25 anos morto em 2016 pela polícia militar em outra ocupação, em Quedas do Iguaçu, Paraná.

A ocupação é um retrato da lógica da concentração fundiária que domina o Brasil desde o período colonial. Desde 1985, quase 2 mil pessoas foram assassinadas em conflitos agrários no país. O Brasil – onde menos de 1 % das propriedades agrícolas detém quase metade da área rural – é o quinto país mais desigual do mundo em acesso à terra. Os produtores familiares, responsáveis por 70% da produção de alimentos, ocupam uma pequena parcela do território, que está concentrado nas mãos do agronegócio. O MST, desde 1984, luta pelo direito à terra e já assentou mais de 350 mil famílias.  

O Acampamento Leonir Orback foi registrado no filme “Chão” (2019), documentário dirigido por Camila Freitas que faz um registro sensível da relação dos ocupantes com o chão que reivindicam, disputam e cultivam. Mesmo diante das enormes incertezas sobre a garantia do direito à terra, eles se organizam, plantam, semeiam, cuidam e traçam planos sobre o chão onde sonham ser assentados. Frente a todas as ameaças, suas barracas de lona fincadas no chão são protegidas pela vigília constante de uma frágil torre de madeira, erguida sobre o horizonte colonizado pela monocultura, de quando em quando cruzado por aviões que pulverizam agrotóxicos sobre o acampamento.

Trecho do documentário ‘’Chão’’. (1)

Trecho do documentário ‘’Chão’’. (1)

Trecho do documentário ‘’Chão’’. (2)

Trecho do documentário ‘’Chão’’. (2)

Planta e vistas da Fortaleza da Ilha de Itamaracá, construída em 1630 no litoral de Pernambuco. (3)

Planta e vistas da Fortaleza da Ilha de Itamaracá, construída em 1630 no litoral de Pernambuco. (3)

Chão - Trailer

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